Na efervescente cena de Goiânia, Sarah Abdala integrou a banda iOye! (2008-2011), com quem participou de festivais como Vaca Amarela e Kizombeat, na Argentina. Uma virada viria ao lado do Theremin, projeto que a levou à vitória do reality show musical Geléia do Rock, do canal Multishow/Globosat, em 2011. Desde então, a artista reside no Rio de Janeiro e soma parcerias ao lado de nomes como Gabriel Bubu, Ricardo Dias Gomes, Gustavo Benjão, Lucas Vasconcellos e Dado Villa-Lobos, que marcam presença como convidados especiais em “Futuro Imaginário”.

 

Com “Oeste”, segundo disco da cantautora, surge uma compositora mais à vontade para explorar sensações, sentimentos e nuances tanto instrumentais quanto poéticas. A crueza, a intensidade e a eletricidade dessas músicas são conduzidas pelos sintetizadores e pela guitarra, instrumentos que são a espinha dorsal de toda a sonoridade do álbum. A atmosfera é intimista e climática, sem medo de explorar o silêncio e o ruído. Neste sentido, os dois discos contrastam entre si. “Futuro Imaginário” explora sonoridades mais complexas e densas, enquanto em “Oeste”, menos é mais.

 

“Acho que as composições amadureceram. O primeiro trabalho era uma compilação de músicas que eu tinha feito ao longo dos anos, até em outras bandas, daí juntei tudo e fiz um disco de estreia. ‘Oeste’ foi um disco que eu tinha um conceito claro do que eu queria. Eu sabia como queria fazer, desde a parte instrumental até o que eu queria contar com as músicas. É um disco bem diferente, tanto instrumentalmente quanto no conceito, apesar de os dois terem sempre uma parte muito forte da minha identidade musical. O formato novo surgiu desde o primeiro momento em que pensei em fazer o segundo disco. Em não ter uma banda tradicional, com baixo, bateria, mas fazer algo que se sustentasse como canção. Que se eu pegasse uma música e fizesse na guitarra, as canções falassem mais do que ter uma banda gigante, com arranjos e arranjos”, explica a cantora.

 

Sarah Abdala não precisa de muito para contar uma história. Embora o minimalismo das faixas seja marcante, do título à masterização final, a natureza imagética de cada letra expõe veias e feridas. Se “Oeste” se relaciona fortemente com o conceito de lugar e origens, cada uma dessas canções se torna universal, podendo ser sobre qualquer paragem onde haja “terra vermelha” ou uma “vista desde la ventana”.

 

MIGRANTE 

Após explorar os ambientes onde cresceu no álbum “Oeste”, Sarah Abdala direciona seu olhar pessoal para o mundo. A artista se apropria da história de sua família de origem libanesa para refletir a condição dos que buscam um novo lar na canção “Migrante”. A música está disponível nas plataformas de música digital, através do selo Pomar.

Expandindo sua voz como compositora e intérprete, Sarah contou com a colaboração de parceiros com quem já dividiu os palcos e outras gravações: Marcelo Callado (Banda Cê, Do Amor) na percussão, Lucas Vasconcellos (Letuce, Legião Urbana) no baixolão, Rogério Sobreira nas palmas, mixagem e masterização. Tai Fonseca também assina a composição, além de backing vocals, sintetizador e shaker. Sarah Abdala assume voz, viola, synth, palmas, percussão e violão.

 

“Em “Migrante” estou falando da imposição de uma invisibilidade para um povo, de recomeçar depois de acontecimentos opressores e violentos... Estou falando que o mundo é de todos, que ninguém vai se paralisar ou fugir por medo, e que temos que nos reconectar como humanidade”, conta Sarah.

 

O novo single abre um novo caminho na trajetória iniciada com “Futuro Imaginário”, lançado em 2014. A estreia apresentou ao público uma sonoridade calcada em MPB e rock alternativo, explorando arranjos bem elaborados para composições colecionadas ao longo dos anos. O disco logo ganhou os palcos e rendeu a bagagem necessária para a construção de “Oeste”, de 2017, onde ela se mostrava à vontade para explorar sensações, sentimentos e nuances tanto instrumentais quanto poéticas.

 

“Migrante” leva isso ao extremo, criando uma ambiência sonora com base para as emoções representada nos sons orgânicos, como o do baixolão de madeira de Vasconcellos, sem medo do que ela antes consideraria um erro.

 

“Nessa música, no geral, eu quis deixar o que chamam de ‘imperfeições’, aquela esbarrada sem querer na corda da viola... A afinação do baixo... Não quis ficar ‘higienizando’ a música.

O parâmetro da produção foi o que a música pedia, valorizar a progressão do take, valorizar o humano, a ‘imperfeição’ que vem daí. O disco será todo assim”, revela Abdala.

 

Com arte da capa de Rodrigo Alarcon e mixagem e masterização de Rogério Sobreira, “Migrante” está disponível em todas as plataformas de música digital.

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